Não queira manipular a Deus
E aí, caro leitor, tudo bem? Tenho vivido uma experiência de aprendizado muito interessante nesses dias, embora seja também uma experiência particularmente muito desagradável; e pela maneira como tudo aconteceu eu senti de trazer esse registro aqui para abençoar mais pessoas que possam ter passado por algo semelhante [ou talvez para abençoara quem já tenha passado por algo assim e não entendeu o que aconteceu, ou quem ainda vá passar e vá encontrar esse texto para ler futuramente].
Eu posso dizer que tudo começou há dois domingos atrás. Já fazia algum tempo em que eu queria marcar uma vigília de louvor na minha igreja, para ser sincero, eu ia marcar no mês passado, mas outros eventos surgiram e me impediram, então eu tinha proposto no meu coração em marcar nesse mês. Enfim, quando chegou o domingo, eu reuni o grupo de louvor e combinei com eles de marcarmos a vigília para a sexta-feira.
Entretanto, nesse mesmo domingo eu fiz uma coisa que desagradou a Deus, embora eu tenha feito isso na melhor das intenções, e na segunda-feira minha mãe foi até a minha casa para me falar que Deus havia mostrado a ela que eu precisava ser corrigido naquilo.
Bem, confesso que eu fiquei bastante contrariado e chateado, até porque não foi nenhuma atitude pecaminosa, foi uma coisa que eu fiz de uma maneira que não havia agradado ao SENHOR. Bem, posso dizer que passei toda aquela semana contrariado, aborrecido com Deus, embora em continuasse me preparando com muita expectativa para a vigília da sexta-feira.
Quando o dia da vigília finalmente chegou, eu me preparei, me coloquei a orar e passei o dia em adoração, me preparando para viver grandes momentos na Presença de Deus. Porém, você que está lendo já deve ter imaginado que nada aconteceu.
Durante a vigília, em certo momento de oração, eu pedi a Deus que Ele falasse comigo, que Ele tocasse em meu coração, mas a resposta que veio ao meu coração era que aquele dia eu iria ministrar, mas não ser ministrado; que eu iria entregar, mas não receberia nada de volta. E foi o que aconteceu, pois eu ministrei muitas coisas, mas não tive nada de volta.
Quando eu voltei para casa, eu fiquei bastante confuso, bastante chateado. Eu havia me consagrado, jejuado, me preparado para viver grandes coisas na Presença do SENHOR, e não havia recebido nada de volta. Por que?
Bem, o sábado todo e também o domingo, o aplicativo da Bíblia no meu celular destacou o mesmo versículo [o que não é comum, pois ele costuma trocar o versículo depois de certo tempo]. Era um salmo. Esse mesmo salmo foi lido na abertura do culto de domingo. Foi meditando nele que eu entendi o que havia acontecido.
“Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” Salmos 51:17 (ACF)
Embora eu tivesse me consagrado, jejuado, me preparado, faltava em mim o principal: um espírito quebrantado. Eu havia feito tudo aquilo por obrigação espiritual, havia seguido todo o ritual da maneira correta, embora ainda estivesse aborrecido com Deus por ter sido exortado. Eu segui os mandamentos, mas meu interior estava contaminado pela rebeldia. Eu havia cumprido todo meu ritual religioso, mas estava com o coração distante de Deus. Ainda assim, Ele, em sua infinita misericórdia, pôde me usar para abençoar outros.
Muitas vezes somos assim, achamos que podemos manipular a Deus com nossos jejuns e orações, com nosso trabalho incansável na Igreja, nos congressos, nos ministérios; muitas vezes achamos que fazendo tudo isso vamos conseguir que Deus nos responda da maneira que queremos, na hora que queremos, do jeito que queremos.
Davi conhecia a Deus. Ele sabia que Deus não pode ser manipulado com nosso serviço, com nosso trabalho, com nossos sacrifícios que supostamente seriam para Deus, mas que muitas vezes são apenas a maneira com a qual estamos querendo comprar a Deus. Por isso ele afirmou no versículo anterior:
“Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos.” Salmos 51:16 (ACF)
O verdadeiro sacrifício para Deus não é o que podemos oferecer em seu altar, seja em ofertas ou em trabalhos. O verdadeiro sacrifício vem daquele que quebranta o seu coração, que sacrifica seu ego e reconhece que é pecador diante de um Deus que é Santo e bendito para sempre.
Jejuns só tocam o coração de Deus quando vem de pessoas que os fazem com a consciência de estarem matando a carne para ter mais do SENHOR. Caso contrário, são apenas rituais religiosos que em nada alcançam o Eterno.
Muitas vezes corremos o risco de vivermos nossa vida com Deus dessa forma: cumprindo rituais apenas e esperando que a resposta de Deus venha, como se houvesse uma fórmula mágica para alcançar o favor do SENHOR. Mas não existe. Deus não é um poder manipulável, tal qual os contos de magia, onde o poder pode ser invocado com palavras mágicas e gestos certos. Deus é uma pessoa. E o que Ele requer de nós é todo o nosso coração.



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