O real perigo é não posicionar-se!

E aí, caro leitor, tudo bem? Há alguns dias eu estava lendo o livro de Ester e algo ali me chamou a atenção. Eu estive meditando nisso nos últimos dias, esperando que tivesse uma oportunidade para compartilhar na minha Igreja esse ensino, quando segunda-feira o meu aplicativo da Bíblia me notificou o exato trecho que havia me chamado a atenção. Eu vi como um sinal de que Deus estivesse querendo me falar alguma coisa, afinal, é um versículo um tanto incomum.

Ontem, durante o culto no lar, eu aprendi mais outras coisas que me servirão para um outro texto a respeito de um outro assunto [que pretendo escrever mais pra frente], e então eu entendi que Deus queria que eu compartilhasse aqui [e não na Igreja] aquilo que aprendi no livro de Ester [até porque é provável que ainda demore para eu voltar a ter oportunidade de pregar na Igreja].

E o que eu aprendi lendo Ester? Simples: aprendi que quando estamos diante de um dilema que requer nosso posicionamento, o real perigo é não se posicionar.

Calma, eu vou explicar tudo. Vem comigo.

A história da rainha Ester é uma história bem conhecida até por quem não é cristão ou judeu. Trata-se da história de uma jovem judia que vivia com seu povo no império persa, quando o rei convocou as jovens do reino para que pudesse escolher uma nova rainha para si. Depois de um período de preparo, Ester foi escolhida como nova rainha. É uma história muito bonita e que já foi matéria-prima de diversas obras artísticas, desde séries, até filmes e novelas.

Porém, a história de Ester não termina assim. Acontece que um homem levantado pelo inimigo consegue convencer o rei a assinar um decreto permitindo o extermínio de todo o povo judeu que vivia naquele reino, ou seja, permitindo o extermínio de todo o povo da rainha Ester, que tinha por nome judaico Hadassa.

Esse fato chega ao conhecimento da rainha através de seu primo Mardoqueu, que fora aquele que criara Ester como sua própria filha devido ela ser órfã (a Bíblia não entra em detalhes de como Ester ficou órfã). Enfim. Mardoqueu conta a Ester que seu povo está prestes a ser exterminado e pede que ela interceda ao rei para que isso não aconteça.

Porém, a resposta de Ester a Mardoqueu não era bem o que ele gostaria de ouvir.

Ester diz a seu primo que ela não poderia interceder ao rei por seu povo, pois ela sequer poderia ser apresentada diante do rei sem que o próprio rei a convocasse. Ester diz que se ela se achegasse ao rei sem que ele pedisse e o rei não estendesse o cetro para ela, ela seria executada.

Pois então Mardoqueu responde a Ester o exato trecho que eu citei mais acima como sendo o texto que me chamou a atenção, e que meu celular me notificou na segunda-feira:

“Então Mardoqueu mandou que respondessem a Ester: Não imagines no teu íntimo que, por estares na casa do rei, escaparás só tu entre todos os judeus. Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?” Ester 4:13-14 (ACF)

Mardoqueu basicamente diz a Ester que se ela não se posicionasse, ela mesma seria destruída. Então, a rainha estava entre a cruz e a espada, estava entre se posicionar e correr o risco de morrer, ou não se posicionar pela falsa segurança de escapar, mas acabar perecendo mesmo assim.

E foi isso que me chamou a atenção: a falsa sensação de segurança que existe em não nos posicionarmos. Quando nos deparamos com uma situação de emboscada, onde somos colocados contra a parede e somos testados na fé, existe uma falsa sensação de segurança na possibilidade de não nos posicionarmos, mas é uma sensação acima de tudo falsa.

Ester poderia achar que escaparia se ficasse na dela, mas como Mardoqueu disse, todos seriam libertos e apenas ela iria perecer.

Isso me lembra a história de Misael, Azarias e Hananias diante da estátua de Nabucodonosor e da fornalha acesa. O rei ordenava que eles se prostrassem para adorar a imagem, ou senão eles seriam jogados ao fogo. Era preciso uma decisão, um posicionamento, e existia uma falsa segurança na opção de não se posicionar e prostrar-se. Mas aqueles três jovens não cederam.

Em nossas vidas, podemos nos deparar com situações assim também. Pode ser no trabalho, quando surge a opção de subornar o comprador da outra empresa para fechar aquela grande venda ou manter-se honesto e não ceder à malandragem. Pode ser na nossa vida pessoal, quando surge a oportunidade de trair sua parceira com aquela moça da academia de um modo que ninguém iria descobrir, ou manter-se fiel à sua relação.

Enfim, essas situações podem surgir de diversas maneiras diferentes. Em todos os casos, devemos nos posicionar de acordo com os princípios da Palavra de Deus, ainda que isso nos leve para uma situação de aparente derrota, porque na verdade será de lá que virá a nossa vitória.

Conhecemos o final da história de Ester: ela se posicionou e salvou todo o seu povo.

Conhecemos o final da história dos três jovens, que foram jogados na fornalha e não se queimaram.

E o final da sua história, como será? Posicione-se!

Deus abençoe.
Denian Martini

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